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APOPTOSE
O
suicídio celular programado tem papel importante em diversos
processos vitais e em inúmeras doenças.
Até à muito pouco
tempo os cientistas acreditavam que as células só morriam quando
agredidas por factores externos, por um processo chamado necrose.
Sabe-se agora que existe outra forma: o suicídio celular programado,
necessário para eliminar células supérfulas, e cujo fenómeno
biológico foi batizado de apoptose. Este não é mais do que um
mecanismo de selecção, em que células de um organismo morrem para
que o conjunto sobreviva.
Como é preciso gerar novas células para manter processos vitais, é
imprescindível eliminar as supérfluas ou defeituosas. No indivíduo
adulto, se a multiplicação das células não é compensada de modo
preciso por perdas, os tecidos e órgãos crescem sem controlo, o que
pode causar cancro por exemplo.
Estudos recentes
revelam que muitas células carregam instruções internas para
"cometer suicídio" no momento em que deixam de ser úteis ao
organismo.
Hoje sabe-se que
seres pluricelulares só atingem sua forma final porque eliminam de
modo seletivo certo número de células. A rã e os insectos são
exemplos. A rã inicia a vida como girino, forma adaptada ao ambiente
aquático. Depois, ganha outras estruturas para viver em terra. Essas
perdas decorrem da morte das células. A formação da mão humana segue
processo semelhante. No início, é um apêndice arredondado, sem dedos
definidos. Estes são formados pela multiplicação de algumas células,
enquanto as que estão nos espaços entre eles recebem o comando para
morrer.
Mas as células também morrem de modo não-fisiológico, o que causa a
maioria das doenças. A morte é patológica ou "acidental" quando a
célula é impedida de manter seus processos vitais por lesões físicas
ou químicas causadas por fatores externos.
As lesões podem ter ainda origem biológica, como nas infecções por
bactérias ou vírus. Esse tipo de morte celular, o único conhecido
pelos cientistas mais antigos, é chamado de necrose. Além da
toxicidade direta para as células vizinhas, o derrame gera
substâncias que atraem células do sistema imune, causando intensa
reação inflamatória: alguns tipos de glóbulos brancos (em especial
neutrófilos e macrófagos) convergem para o tecido em necrose e
ingerem as células mortas. A inflamação, típica da necrose, é
importante para limitar infecções e remover restos de células, mas a
atividade e as secreções dos glóbulos brancos podem também danificar
tecidos normais vizinhos.
A morte celular
fisiológica é totalmente distinta da necrose. Em primeiro lugar, a
célula não incha. Ao contrário, encolhe-se.
A apoptose é
"silenciosa". Não há, como na necrose, o "alvoroço" da inflamação.
Em geral, as células apoptóticas são as reconhecidas por macrófagos
(um tipo de glóbulo branco presente em todos os tecidos) e ingeridas
antes que se desintegrem. Isso evita o derrame do conteúdo celular
e, assim, não há inflamação e lesão do tecido, garantindo o seu
funcionamento normal. Certas células apoptóticas não são removidas
logo, continuando no local às vezes por toda a vida. É o caso dos
queratinócitos, células da camada externa da pele. Ao migrar de
camadas mais profundas para a superfície, eles morrem por apoptose,
mas no processo substituem seu conteúdo pela proteína queratina e
ganham uma "capa" impermeável. Assim, a camada protetora mais
externa da pele é feita de células mortas, descamadas e trocadas por
outras a cada 21 dias, em média.
O cristalino (a
lente) dos olhos também é formado por células mortas, que
substituíram a maior parte de seu citoplasma por proteínas
denominadas cristalinas.
O
estudo da apoptose e do cancro tem vindo a revelar por que muitos
tumores resistem à radioterapia e à quimioterapia. Pensava-se que
tais terapias destruíam o tumor por necrose, mas agora sabe-se que
as células morrem em geral por apoptose. O que parece acontecer é
que tanto a radiação quanto as drogas danificam o ADN das células
cancerosas, activando o gene p53 que leva ao suicídio celular. Mas
células cancerosas sem a p53 ou com altos níveis de Bcl-2 não
morrem, tornando inúteis essas terapias. Há poucos anos também foi
constatado que algumas dessas terapias ativam proteínas que
estimulam a transcrição de "genes protetores".
A
apoptose excessiva pode causar doenças neurodegenerativas (Alzheimer
e Parkinson), lesões secundárias após isquemia (bloqueio de
circulação do sangue), retinite pigmentosa (uma causa de cegueira) e
osteoporose (perda de massa óssea). Certas infecções também podem
levar à apoptose excessiva: no mal de Alzheimer, os neurônios
parecem cometer suicídio precocemente, o que resulta em demência
progressiva e irreversível, por perda da cognição e da memória.
Investigações recentes revelam por que o extracto metanolico do
pericarpo (casca) do
mangostão
possui fortes efeitos de debelar a proliferação da oxidação e
induzir a apoptose. Por exemplo a indução da apoptose numa linha de
cancro de mama e em leucemia foi provada por cientistas.
O
α-mangostin (uma das xantonas) revelou
induzir apoptose. O extracto de pericarpo do
mangostão,
o qual contém α-mangostin e γ-mangostin,
mostraram um aumento de actividade cellular em modelos. Estas
descobertas podem proporcionar uma base relevante para o
desenvolvimento das xantonas como um agente para prevenção de
cancro, e em caso de terapia a combinação com drogas anti-cancro”.
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