|
ANTIOXIDANTES E BIOFLAVONÓIDES
A
produção contínua de radicais livres durante os processos
metabólicos gerou o desenvolvimento de mecanismos, suportados pelos
antioxidantes endógenos como algumas enzimas metabólicas e
vitaminas, que limitam os níveis existentes destes elementos no
corpo humano, de modo a impedir danos celulalares e tecidulares
significativos.
Há também fontes exógenas abundantes de antioxidantes na natureza,
onde podemos destacar, por exemplo, as vitaminas A, C, E e os
bioflavonóides.
Os bioflavonóides, ou apenas flavonóides, são substâncias
polifenólicas, pigmentos naturais amplamente distribuídas em
plantas, frutas e verduras. Já foram identificados mais de 5.000
flavonóides. O termo fenólico ou polifenólico pode ser definido como
sendo uma substância que tem um ou mais núcleos aromáticos, contendo
substituintes hidroxilados e/ou derivados funcionais, como ésteres,
glicosídeos e outros. Os flavonóides mais comuns encontrados na
natureza são flavonóis, flavononas e flavonas.
As principais fontes de bioflavonóides são as frutas cítricas, onde
são encontradas a quercitina, a hesperidina, a rutina, a naranjina e
o limoneno, que são chamados citroflavonóides. A quercitina é um
flavonóide amarelo-esverdeado presente nas cebolas, maçãs, brócolos,
cerejas, uvas e repolho roxo. A hesperidina encontra-se na casca das
laranjas e limões. Por outro lado, a naranjina confere o sabor
amargo a frutas como laranja, limão. O limoneno é encontrado no
limão e na laranja-lima.
Até à algum tempo as investigações médicas tinham por objectivo
prevenir doenças. Os cientistas tem vindo a focar-se no papel dos
nutrientes e respectiva influência na saúde. Em particular, as
preocupações centram-se na redução do risco de doenças crónicas e
degenerativas. Inúmeras investigações tem-se focado em nutrientes
com vitamina C, E e betacaroteno (percursor da vitamina A). Pensa-se
que estes podem desempenhar um papel significativo na redução do
risco de patologias crónicas pelo capacidade de neutralizar os
radicais livres.
Mais do que estes compostos, as xantonas revelaram muito
recentemente possuirem capacidades antioxidantes muito mais intensas
do que qualquer dos nutrientes tradicionalmente referidos como
antioxidantes.
Pelo processo de geração de radicais livres, os antioxidantes perdem
um electrão, sem que se convertam em substâncias quimicamente
instáveis. Ao igualar o número de electrões que o radical livre
contém, tornam-no menos prejudicial.
Exitem 2 tipos de
antioxidantes.
-
Sistemas enzimáticos antioxidantes
As defesas do organismo actuam através de enzimas que contém um ião
de metal na sua estrutura. Estas transferem um electrão de ião de
metal para o radical livre diminuindo a sua capacidade de reacção.
Estas enzimas antioxidantes contém ferro, selénio, manganês, zinco
ou cobre. Não é ainda claro se doses elevadas destes minerais podem
ter consequências adversas ao organismo. As investigações têm vindo
a centrar-se sobretudo em nutrientes antioxidantes.
-
Nutrientes
antioxidantes
Os nutrientes antioxidantes têm papel activo contra o ataque dos
radicais livres. Por exemplo a vitamina E deixa-se atacar ela
própria pelos radicais livres, actuando como tampão químico. Esta
vitamina converte-se também num radical até que a vitamina C a
devolva ao estado normal, quebrando-se a cadeia. A vitamina C pode
reagir com os radicais livres, actuando como bloqueador. O
betacaroteno desempenha uma função mais importante do que a vitamina
E na protecção das membranas celulares, proteínas e ADN. Uma
molécula de betacaroteno pode diminuir a energia de 1000 moléculas
de oxigénio desemparelhadas.
Os bioflavonóides têm grande importância na protecção do organismo
contra a acção dos radicais livres. Seu alto poder antioxidante
protege as membranas celulares da lipoperoxidação. Os bioflavonóides
podem, também, de forma indirecta minimizar o efeito imunodepressor
dos radicais livres, pela inibição da acção da ciclooxigenase ao
reduzir a formação de hidroperóxidos, processo fundamental para a
transformação do ácido araquidônico em PG H2 (PGH2), a partir da
qual se formam a PGE2, a PGD2 e
a PGF2.
O teste laboratorial mais conhecido por ORAC
(Oxygen Radical Absorbance Capacity) mede a capacidade de absorção
de radicais Oxigénio por uma determinada substância. Estudos
demonstraram que uma porção de sumo de
mangostão
tem 20-30 vezes mais capacidade de absorção de radicais livres do
que a mesma porção da maior parte das frutas e vegetais. O teste
ORAC é uma das mais precisas formas de medir a capacidade dos
antioxidantes para absorver radicais livres.
Papel dos
antioxidantes tradicionais:
Por exemplo, a incidência de cancro
do estômago é muito alta no Japão e baixa nos EUA, enquanto que a
incidência de cancro do cólon é muito mais alta nos EUA do que no
Japão. Emigrantes Japoneses nos EUA e com os hábitos de alimentação
modificados segundo a nova cultura, apresentam o mesmo padrão de
cancro de cólon.
Vários autores asseguram que cerca
de 25% dos cancros de indivíduos masculinos e 50% dos indivíduos
femininos são explicados pelos hábitos alimentares.
Vários trabalhos
demonstram que dietas ricas em fibra e vitamina C e betacaroteno,
reduzem o risco de vários cancros;
Avaliados 25802 indivíduos com
idades entre os 25 e 64 anos. Em 1974 as amostras de sangue foram
congeladas. Entre 1975 e 83, 99 indivíduos desenvolveram cancro do
pulmão e constatou-se que o nível de betacaroteno era mais baixo do
que os outros.
Foram avaliadas 3000 pessoas com
média de idade de 51 anos, entre 1971 e 1982, das quais 102 morreram
de cancro. Os que faleceram de cancro de pulmão apresentavam índices
de betacaroteno mais baixo dos que não desenvolveram cancro.
Outros estudos observaram a mesma
relação de incidência de cancro do estômago, esófago e leucemia.
Noutros estudos demonstrou-se a
relação entre os baixos níveis de vitamina C no sangue e o cancro de
estômago e do esófago.
11348 Adultos com
idades entre 25 e os 74 anos de idade que consumiram diariamente 300
a 400mg de vitamina C. O estudo decorreu entre 1971 e 1984.
Verificou-se aumento da esperança de vida em 6 anos. O maior efeito
foi notado nas mulheres.
29000 Indivíduos
masculinos entre 50 a 69 anos de idade, fumadores. Há correlação
entre o cancro do pulmão e consumo de antioxidantes.
A Harvard
Medical Schol estudou a influência dos suplementos dietéticos
com um ou mais antioxidantes na redução do risco de desenvolvimento
de doenças coronárias. Notaram-se 50% menos de segundos enfartes.
Existe assim uma clara associação
entre os baixos níveis de antioxidantes e maior incidência de
doenças cardiovasculares. Existem também indícios de que os
nutrientes antioxidantes ajudam a proteger os olhos de
desenvolvimento de cataratas, ou pelo menos retardar o seu
aparecimento.
Inúmeros outros estudos tem vindo a
ser elaborados, os quais comprovam a correlação positiva, e os
óptimos resultados de melhoria em pessoas afectadas por patologias
várias.
Ver em investigação.
Nos estados iniciais de muitas das doenças degenerativas verifica-se
disfunção das
mitocondrias,
stress oxidativo, e reduzidos níveis de transmissão de sinais entre
as sinapses. Muitos genes associados a doenças neurodegerativas são
agora reconhecidos como reguladores da função das mitocondrias,
estados redox,
ou a exocitose,
de neurotransmissores. As mitocondrias estão concentradas nas
sinapses, e alterações destas podem ser determinantes na transmissão
de sinais.
Disfunções acontecem e stress oxidativo dá-se em estados iniciais de
muitas das doenças. Por exemplo, os neurónios do hipocampo são os
mais vulneráveis a patologias degenerativas, e contém inúmeros
marcadores de stress oxidativo.
A regulação da
função das sinapses e dos níveis de oxigénio reactivo pelas
mitocondrias, pode ser perturbada o que se traduz comummente em
estados iniciais de algumas doenças neurodegenerativas.
|